A Educação e a Escola

Jailton Alves

O Brasil passa por uma terrível crise na educação, provocada pela incapacidade governamental que vem assolando as escolas há vários séculos. Segundo Márcia Neder As escolas pública tem uma lista interminável de mazelas – da falta de luz a falta de segurança, antes mesmo de considerarmos a qualidade de ensino, todo mundo sabe, está em todos os jornais e até o presidente já descobriu. Falta tudo na educação brasileira, mesmo na rede privada: professores bem preparados, investimento no aprendizado e até um currículo mínimo que norteie o ensino. O Brasil não valoriza o professor e não é apenas questão de salário. No Japão ele tem autoridade até para chamar a atenção dos pais sobre falhas na educação dos filhos. Também as condições em que o professor brasileiro trabalha deixam a desejar. Todo homem é essencialmente um ser político. Por isso não poderemos deixar de fazer algumas considerações nessa conjuntura. A própria palavra política nos remete a habilidade no trato das relações humanas. É dessa relação que a escola prima por cuidar e geralmente percebe-se a falta de habilidade que é evidenciada dentro da própria escola no que se refere ao cuidar de gente. A Educação é uma das portas que pode ser aberta a todos os humanos independente de raça, cor, sexo ou credo. Acreditamos que só seremos um país completamente livre quando não existirem os vários tipos de muros que nos separam, nos divide e nos jogam na sarjeta, na desesperança e na falta de oportunidades evidenciadas nos milhões de brasileiros que vivem nos milhares de bolsões de miséria espalhados por esse tão imenso rico Brasil. Infelizmente na política brasileira muito pouco se tem feito pela Educação. Estamos cansados de falar que um país só se constrói pelas vias da escola e que um povo desenvolvido culturalmente é um povo livre e povo livre logicamente sabe escolher melhor os seus representantes políticos. Observa-se que em pleno século XXI a maioria das escolas brasileiras ainda desenvolve métodos aplicados na idade média. Não se pode conceber uma escola pública onde falta quase tudo. Escolas têm feito verdadeiros milagres para funcionarem. Falta do porteiro à carteira para estudantes, faltam equipamentos, bibliotecas equipadas, salas de informática funcionando. Estamos cansados de tanta propaganda de que o professor deve ser valorizado, de que as escolas estão equipadas, de que falta vontade do professor querer ensinar. São tantos os discursos sofistas que afetam diretamente quem está ligado com o aluno em sala de aula que cada vez mais a escola tem se esvaziado do seu objetivo principal que é ajudar a transformar os educandos em seres pensantes e livres. Como ajudar o outro a ser livre com um profissional da educação trabalhando 15 horas para sobreviver? Quando nesse país os políticos vão acordar e perceber que é ante-humano um professor sobreviver dessa forma e ter que acordar cedo no outro dia para encarar mais uma jornada de 15 horas diárias somente em sala de aula? Pergunta-se: Porque os projetos que podem beneficiar os professores demoram tanto de ser aprovados? Como um país pode ser levado a sério se não respeita o profissional da educação? Estamos cansados de ler estatísticas onde nos apresentam resultados em que o nível de formação dos alunos nas escolas brasileiras se apresenta piores que alguns países mais pobres da África. Os resultados desastrosos são parte de um cenário que vem piorando nas últimas décadas e finalmente fez o governo federal disparar um programa ambicioso, o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que pretende injetar no setor 8 bilhões de reais nos próximos quatro anos e, por meio de um amplo pacto nacional, garantir que, até o final de 2021, as crianças das primeiras séries se aproximem da média internacional. O que, convenhamos, já é apenas tolerável. O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), a mais conceituada avaliação do ensino, promovida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e aplicada alunos da redes pública e privada, mostra que em 2003 41 países foram avaliados na disciplina de comunicação, e novamente os estudantes brasileiros ficaram em último lugar. De acordo com a UNESCO, o Brasil investe apenas 10,8% do PIB em educação, praticamente a metade de países bem colocados nas avaliações. Chega de números. O que queremos é uma política séria onde professores e alunos sejam ouvidos e suas reivindicações sejam atendidas. Só quem está diretamente ligado ao problema da educação no dia a dia nas escolas é quem sabe o que pode ser feito. Não queremos burocratas de gabinetes tentando resolver problemas que eles nem sabem por onde resolvê-los. Basta de engodo, basta de enganação. Se exige muito que os profissionais da educação tenham formação, mas muito pouca oportunidade surge para esses educadores. Nas empresas privadas, seus funcionários recebem formação e seus salários não são reduzidos. Na escola pública se o professor quiser estudar o seu salário é logo reduzido. Não ser pode crer num país onde o educador seja penalizado por querer se titularizar. O que o país oferece a esses profissionais, eternos sonhadores, que se imola a todo custo para que alunos, já vindos de uma estrutura completamente desajustada, queiram sonhar e acreditar em educação? Como ajudar na transformação dos alunos em escolas que não oferecem condições dignas de se ensinar e de se aprender? Estamos cansados de levarmos mea culpa. Queremos um país livre das amarras da opressão. Queremos um país que acredite e respeite o profissional da educação. Queremos um país onde a Escola seja respeitada e seja considerado um território livre de drogas, violência, preconceitos e tantos outros muros que nos separam. Atualmente estamos quase que sozinhos tentando lutar e remar contra o TSUNAMI da ingerência política que infelizmente mais atrapalha do que ajuda no que se refere à educação. Sonhamos no dia em que professores dirijam esse país. Assim a educação seria levada mais séria e os filhos dos pobres poderiam sonhar em um dia serem completamente livres. Enquanto o discurso estiver fora da ação muita água ainda vai passar por debaixo das pontes que nesse país insiste em separar os que têm dos que nada têm. Apesar de tudo isso acreditamos que uma pequena luz poderá surgir no final do túnel. Enquanto essa Luz não chega vamos sonhar um pouco. Imagine se o Professor não tivesse que trabalhar no mínimo 15 horas por dia em sala de aula, se o Estado desse condições dignas de trabalho, salários dignos, ai sim tudo seria diferente. Infelizmente, gente feliz e gente inteligente é gente muito perigosa para o Governo. Gostaríamos que todos os educadores de todas as áreas pudessem ter acesso a cursos de formação continuada. Assim poderíamos em larga escala ajudar a promovermos melhor um ensino aprendizagem de qualidade e que a Escola pudesse realmente ser encarada como um espaço onde o aluno se sentisse livre, protegido e capaz de desenvolver-se para aprender a ser, aprender a fazer e aprender a aprender. É imprescindível que os professores recebam essa formação para continuar desenvolvendo seus projetos em cada escola e juntamente com todos os professores que ainda acreditam em educação desenvolvam atividades que façam à diferença. Dessa forma essa formação passaria a ser considerada como um trabalho em rede onde cada aluno e cada professor que pudesse vivenciar essa nova forma de ensinar passariam a influenciar a outros a quererem participar dessa nova forma de ver a Escola. Assim poderíamos a vislumbrar não muito longe uma nova Escola onde os alunos e professores gostassem realmente de frequentá-la e ela pudesse ser uma extensão da nossa casa, onde nos sentimos, às vezes, protegidos e cuidados. Um ensino diferente pode proporcionar ao aluno condições dele ser intérprete do seu próprio mundo, sendo um cidadão ativo e dono do seu eu. Mas infelizmente com o que temos por aí, é Um Brasil de média 5,0 como nota máxima para aprovação dos alunos. Nota essa que desqualifica todo e qualquer um para o mercado de trabalho. Queremos UMA NOVA ESCOLA.  Alunos que saibam ser livres e cidadãos conscientes de seus direitos e deveres. Alunos que sejam pessoas que saibam conviver com o outro, respeitando as diferenças e acima de tudo entendendo que ninguém pode ser feliz se o outro que também faz parte de cada um de nós estiver infeliz. Quando chegarmos a esse nível de consciência acreditamos que existirão políticos que realmente sejam mais sérios e que comprometidos com a educação encarem a mesma como uma saída que pode tirar o Brasil do 3º mundo, proporcionando a derrubada dos muros que separam o nosso povo. Dessa forma os bolsões de miséria que afetam tanto a nossa gente farão parte apenas de um longínquo passado. Enfim enquanto não se investir pesado e maciçamente em Educação como fizeram alguns países como Coréia do Norte, Japão, Cuba, o Brasil continuará sendo para a opinião pública mundial o país do carnaval, da pedofilia, da prostituição infantil, do futebol, o país onde a polícia primeiro mata e depois pergunta um país onde o narcotráfico criou um governo paralelo que tem até o poder de fechar Escolas e Universidades.

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